Amanhecer de um ansioso
O Amanhecer de um ansioso O sol teimava em nascer, como se a noite não tivesse sido mais que um capricho, algo passageiro. Tiago, sentado à janela de seu quarto, observava o céu que se despedia das estrelas com a indiferença de um cortesão cansado. — "Outro dia", murmurou ele, "outra repetição.", "sem certeza de que dará certo" A luz, aos pouquinhos, cobria as ruas como uma inundação silenciosa, revelando o mundo em seus tons ordinários,às vezes bonitos. Um gato atravessou a rua, indiferente ao espetáculo que os poetas tanto celebram. Tiago sorriu. — "É verdade", pensou. "O sol nasce, os homens acordam, e tudo continua tão miseravelmente igual." Mas então, sem saber por quê, sentiu um leve aperto no peito. Talvez fosse a brisa matinal, talvez o último suspiro da noite. Ou quem sabe, quem sabe, fosse aquilo que os tolos chamam de esperança. O sol, impassível, seguiu seu curso. E Tiago, contra sua própria lógica, continuou a olhar e...