Estilhaços



Estilhaços 

Tudo em volta era fumaça. No chão, o  sangue escorria na areia,estilhaços espalhados. Uma criança baixa; magra pelo chão rastejava ,ao seu lado corpo da mãe caído. Com pouca força; muita dor e dificuldade em enxergar algo em frente a criança se pôs de cócoras. Mesmo assim ,era difícil, pois os dedos de seus pés estavam fragmentados. Sobre seu corpo vários estilhaços. Após um tempo se locomovendo,por hora engatinhando, por hora de cócoras,conseguiu chamar Benedita.

- O que aconteceu? Que tunda foi essa que ocê levou ?

- Não foi tunda ,foi o porrete que mãe deu na pólvora.

O explosivo era o restante das sobras de material explosivo que o governo usou para a construção de uma pista às margens da comunidade do Vão de Almas. Na esperança de conseguir mais uma ferramenta de pesca , Cassiana havia começado a partir o material explosivo encontrado,assim , aconteceu o acidente.

Benedita foi até o local com Martinha,chegou lá, a mãe de Martinha - Cassiana, estava com fragmentados da bomba até no pescoço de onde também podia se ver uma hemorragia.

- Se vocês escaparem dessa ,pode ter certeza que Deus há de ter um plano com ocês.

Apesar dos ferimentos, o cuidado médico todo foi só com os remédios do mato. Salvo pelas injeções de tétano que conseguiram.
Sobreviveram e após 80 anos Martinha conta a história com espanto e gratidão,até hoje não acredita ter escapado daquela situação. Mostra a quem pergunta as marcas dos estilhaços.

É realmente, Deus tinha um plano.

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