O veleiro
O Veleiro
Em um hospital de grande movimentação da região , os ânimos dos profissionais da saúde e demais colaboradores estavam divididos entre estafa mental pela grande quantidade de trabalho e a iminência da chegada da vacina que resolveria grande problema de saúde pública que se alastrou , gerando grande impacto socioeconômico no Brasil.
- Não vejo o momento em que estarei sozinha em um barco
velejando por longos dias.
-Suas férias estão chegando. Esse ano realmente foi bastante grave.
Uma grave melancolia atingira a maioria dos jovens. Em
virtude de um uma pandemia que isolou grande parte da população por muito tempo
a fim de evitar a disseminação de um vírus causador de doença respiratória ,grave
,muitas pessoas tornaram-se negativas, pessimistas. O spleen de viver
,anteriormente presente no início ou em meados do século 19 retornou com força
em quase todo mundo.
O inconsciente humano aquela época sofreu um grave
travamento em virtude do medo disseminado por alguns acerca da nova formas de
prevenção para essa doença, a vacina.
Em virtude do espalhamento de más notícias, a
população se sentiu bastante impotente
,diante da postura de um chefe do poder executivo, que propositalmente atrasava
o avanço da prevenção profilática ativa que é a vacina.Tudo isso para
satisfazer seus desejos de populismo de direita e dessa forma, tornar os
brasileiros mais suscetíveis à sua nova estratégia de governo e reeleição.
Em mais uma fase do seu estágio, no hospital regional de uma
cidade satélite, a jovem Grace faz a triagem e os primeiros de passos da
anamnese médica dos pacientes que chegavam à emergência. Além dos casos de
agravamento dos Sarscov 2, o que é muito comum são jovens muito atordoados e o
diagnóstico é confusão mental. O início de um quadro de ansiedade que
provavelmente pode sim se agravar para uma angústia crônica, o que os antigos
mancebos do século 19 viviam, o spleen de viver, o mal gosto pela vida em
que respirar dói. Tudo isso ocasionado
pelas incertezas da nova moléstia.
O tratamento para esse mal é essencialmente medicamentos e
psicoterapia. A medicação mais eficiente é o inibidor de recaptação serotonina ,
quando o spleen de viver já tornou-se uma depressão. No entanto, a saúde mental
ainda não é considerada uma doença normal, para muitas é animosidade e para
outros uma simples de disfunção espiritual que não não requer tratamento
proposto pela ciência na medicina da saúde mental ou acompanhamento
psicoterápico, para muitos essa moléstia é apenas desdobramento de uma falta de
conexão com a religiosidade. Os sacerdotes nas diversas religiões sejam cristãs
, monoteístas, afrodescendentes, animistas até os mais modernos preferem ser
algozes e neutros à situação apesar de saber que a nova melancolia é orgânica
no seres humano prefere a omissão de não ligar a falta de cunho espiritual
desse mal e aindao seu jeito se privilegiar de mas apego do povo aos seus
dizeres que necessariamente não couberam para uma melhoria na situação dessa
doença. Enquanto isso o povo se aglomeram nos templos sem que haja necessidade
em busca não tem uma cura mas de um auto comiseração, um flagelo, auto punição
situação que só piora a condição indivíduo portador. Os espaços de reunião
(paróquias, terreiros, mesquitas, templos)
por recomendações deveriam estar fechadas ou com a lotação reduzida,
funcionam com a total capacidade normalmente, desrespeitando qualquer cuidado
para saúde dos fiéis e dos portadores de
início um quadro de disfunção mental. Na verdade, o medo dos líderes religiosos
é que a sua arrecadação financeira não se restabeleça no isolamento social e
por isso, preferem manter nos espaços de reunião cheios,para assim as doações
continuarem normalmente, mesmo que isso custe a disseminação do vírus causador
insuficiência respiratória. Ao mesmo tempo em que oferecem a cura para a extirpaçao do mal que não é
apenas uma falsa sensação de
anestesiamento e os fiéis ao fazerem
sacrifícios financeiros ou sociais, obteram um perdão do mal. Tal prática é até
contrária à fé e aos seus escritos sagrados que orientam que se obedeça às
autoridades políticas, pois essas são instituídas por Deus.
Saindo do plantão a jovem Grace,volta para casa rapidamente.
Em sua caixa de
correspondência está a famosa revista de assinatura de veículos automotores
aquáticos
O novo objetivo da jovem para descansar, após o final de suas atividades na
faculdade e no estágio, seria comprar um barco para passar suas férias
velejando pelos mares do país. Essa atividade era permitida pelo governo,
afinal seriam permitidos apenas a permanência de famílias ou pessoas conhecidas
e não contaminadas pelo vírus na mesma embarcação. Enquanto a jovem folheava os
anúncios de compra e venda negócio, saboreava um bom vinho. Grace morava com
sua família já que era solteira e os pais preferirem a presença de seus filhos,
enquanto ainda fossem desimpedidos de relacionamentos duradouros como
casamento.
Naquele final de semana aconteceria um leilão de uma dessas
embarcações. O veículo automotor
aquático em leilão foi de propriedade de um contraventor que morreu contaminado
com vírus Sars Cov2. Assim que a morte do contraventor foi anunciada,a justiça federal bloqueou alguns bens do
bicheiro. Nem toda a fortuna e bens estavam disponíveis, porque alguns haviam
sido doados para uma instituição religiosa,a fim de lavar o dinheiro , escapando das cargas
tributárias.
O leilão da embarcação teria uma lance baixo, porque os
demais tinham medo da embarcação estar com gotículas de saliva, podendo causar
infecção do novo vírus ao utilizar a embarcação.
A jovem estudante se conectou a uma rede social onde aconteceu o leilão da
embarcação que seria segundo item a ser leiloado.
Para sua surpresa, a empresa responsável pelos leilões
aumentou o valor essencial para o lance, provavelmente, o lance final seria
maior do que suas economias. O motivo da inflação seria que a administradora de leilões havia feito uma
reforma no barco e uma desinfecção que elevaram o valor de venda inicial, ajuda
cálculo lance maior não estaria dentro de suas economias. Seria viável que se juntasse com outro
interessado para que comprar sem embarcação juntos e assim organizassem a
utilização da mesma
Em um grupo online no qual se reuniam diversos participantes
e interessados no leilão, ficou sabendo
de um outro possível comprador – era uma pessoa aparentemente honesta- um jovem
mais novo do que ela.
Fecharam um acordo para um compra compartilhada.O combinado
seria que cada um utilizaria o barco em data específica.
No final de semana seguinte, combinaram de conhecer a nova aquisição e,
inclusive,decidir quem poderia utilizar o barco na próxima temporada de férias.
Chegando lá às 8 horas da manhã ,do dia combinado, percebeu
que estava sozinha, afinal havia chegado antes do horário marcado.
A manhã estava calma, não havia agitação de pessoas na rua,uma
ventania torrencial era o que dava um movimento a mais naquele dia.
Avistando a embarcação de longe,reparou que estava realmente
reformada.Aproximou-se a passos firmes ,mas não tão rápidos,pois teve o receio
do piso do cais estar molhado.Tocou no casco da embarcação ,a madeira era de
boa qualidade.A embarcação era um veleiro MJ 34, bastante robusto.
Virou-se de costas e continuou esperando.No celular,uma
notificação: “Peguei uma carona ,estou a caminho.”
Já tinha se passado minutos da notificação.Grace levantou a
cabeça e mirou para a direção.onde estava anteriormente, avistou de longe um
rapaz.
O jovem acenou,era ele o outro proprietário.Giuseppe , jovem
com os seus vinte e poucos anos; bem educado; cortês;aparentemente calmo- foram
essas as impressões que Grace teve ao conversar com ele naqueles dias após a
compra.Agora, presencialmente, podia observar que tinha olhos castanhos que
quando estavam expostos à luz aparentavam um tom esverdeadoa assim como rios de
água cristalina perto de cachoeiras com grandes torrentes.Vestia uma blusa azul
com o desenho de uma âncora, perceptível o seu apreço pelo universo náutico,
nos pés uma bota adventure,na cor marrom.
Giuseppe foi cumprimentar Grace com o aperto de mão e ela
complementou o gesto com um beijo no rosto. O rapaz ficou surpreso e
rapidamente suas bochechas ficaram avermelhadas.No entanto satisfeito com o ato.
Grace disse:
-Finalmente, iremos poder conhecer nossa embarcação e
decidir quem a usará primeiro.
-Vamos pegar a chave, ela foi deixada na recepção do posto
de navegação.
Foram juntos ao posto da Marinha retirar a documentação da embarcação,ficava
a 200 metros do cais, enquanto caminhavam os jovens conversavam sobre suas famílias.Descobriram
que compartilhavam o fato de terem os pais militares, porém Giuseppe era filho
único,Grace tinha irmãos.
Chegando ao posto entregaram os documentos que comprovam a compra.
-Preciso da Carteira Arrais Amador de quem irá conduzir a
embarcação.( Disse o servidor que estava validando os documentos)
-AQUI ESTÁ,SENHOR(Disseram os dois em uníssono)
- A habilitação dos dois está em dia,no entanto a de
Giuseppe é temporária.Meu jovem jovem, muito cuidado,se forem levar a
embarcação para aguas marinhas,a atenção precisa ser maior.
- Melhor homem inexperiente no Leme do que mulher
conduzindo. Esbravejou um senhor na cadeira de espera, enquanto ria.
Grace revirou os olhos e bufou.
-Tomara que não tenha tido filhos, e não transmitido a
nenhuma criatura o legado de sua miséria. Disse
Giuseppe em alto tom.
-Machado de Assis é o meu autor brasileiro favorito.(Disse Grace
com os olhos brilhando)
Saíram do posto e voltaram para a embarcação, enquanto
conversavam sobre literatura.
Compartilhavam uma afixação em literatura.
-Nunca fui defendida com uma citação de Memórias Postumas de
Brás Cubas.Merece até que eu te pague um almoço.
- E eu nunca vi alguém tão culta e ainda escreve.
-Pare de gracejos ,vamos testar o nosso veleiro. ( Enquanto
andava rápido, apressando Giuseppe de forma indireta )
Subiram os dois no veleiro, conheceram as acomodações.
Quatro quartos todos suítes ,sendo dois com camas de casal.Cozinha bem
planejada com paneleiro e afixados com magnetismo para que as facas não soltassem
com o movimento das ondas.
- Imagine uma cena de crime aqui, à Stephen King ... No qual o corpo perde todo o sangue
aqui nessa madeira e escorre para os quartos.
-Giuseppe, não seja tolo o corpo humano só possue 5 litros
de sangue.Além do mais a velocidade de escoamento é menor do que a velocidade
em que cai pelas frestas da madeira.
-Achei que você ficaria com medo,mas fez foi me dar um fato
interessante.
Grace riu e Giuseppe fitou os olhos nela.Fizeram silêncio.Os
olhares se cruzaram mais.
Grace sorriu com os lábios de canto e subiu as escadas
correndo.
-Está fugindo de quê?
Giuseppe a puxou pelo braço, gentilmente e brincou com o
cabelo cacheado de Grace que abriu um sorriso farto que fazia com que seus
olhos diminuíssem.
Grace subiu em direção ao Leme.
- Eu piloto primeiro,afinal sou mais experiente.
Giuseppe observava a jovem de forma mais compenetrada.
Grace ligou os motores e começou a velejar ,já no meio do mar, chamou Giuseppe para assumir.
-Finalmente,chegou minha vez.Fique ao meu lado.
O jovem assumiu o controle, porém Grace o percebeu trêmulo.
- Tudo bem, Giuseppe?
-Está me substimando, Grace?
-Não! Mas,você parece nervoso.
- Estou tranquilo.
Grace se posicionou atrás de Giuseppe que estava com as mãos
trêmulas no leme.Chegou perto e colocou as mãos no ombro do jovem e aproximou o
rosto dele,na intenção de ajudar no controle do leme.Sentiu que a respiração
Giuseppe ficou ofegante e que o mesmo se retraiu um pouco.
Giuseppe desligou os motores.
- Vamos ficar aqui um pouco.
- Por isso,eu queria comprar essa embarcação sozinha.Quanta
besteira,vamos velejar.
- Sozinha? Giuseppe riu... Qual a graça de ficar sozinho? E
a solidão? Duvido que aguentaria muito tempo.
-Que presunsão, Giuseppe,creia em si, mas não duvide sempre
dos outros.
-Não fique brava.É só uma observação.
Grace desceu até a cozinha e pegou um bom vinho na adega.Encheu
uma taça ,preparou pastéis e voltou.
Giuseppe tinha religado os motores e assumiu o leme.
Virou e viu Grace com a taça.
- Você bebe?
-Sim,mas apenas vinho e espumantes e com pouca frequência.
-Mesmo assim, não é um bom hábito.
- O abstêmio e o alcoólatra cometem o mesmo erro,consideram
o álcool uma droga acima do domínio humano, depois pego um refrigerante para
você na geladeira.
- Você não perde uma chance.
- E você se deu bem.Vai velejar até a costa ,já estou
bebendo.
Os dois riram.
-Giuseppe desligue os motores e sente-se ao meu lado,os
pastéis estão esfriando.
A essa altura o sol já estava forte,por volta das 13 horas
da Giuseppe sentou ao lado de Grace e comeu um pastel.
- Tire os óculos ,por favor.
Giuseppe atendeu ao pedido sem entender.
- Seu olhar é bem marcante e a cor da sua íris é linda com o
sol.
- Quer ver mais de perto?
Giuseppe aproveitou o momento e aproximou seu rosto dos
lábios de Grace.A jovem colocou a taça ao lado e levou a mão em direção ao rosto
, Giuseppe recuou assustado,mas para a sua surpresa Grace acariciou o seu
rosto, enquanto fitava os olhos dele.Um beijo tímido, tornou-se um demorado
beijo.
-Acho que agora eu vejo o vinho com bons olhos.
- O álcool é apenas inibe o Gaba,o sentimento já estava
aqui,só não o consegui inibir mais.
-Falou grego,mas acho que entendi.Por mim ,não voltaria mais
para casa hoje.
- Não exagere,nossos pais irão surtar.
Giuseppe recostou sua cabeça no ombro de Grace e ela pode
perceber o quanto ele estava com os batimentos acelerados.
- Você está bem?Está com taquicardia.
- É assim que você me deixa.
Grace sorriu e desceu até um dos quartos onde havia deixado
sua mochila.Abriu o zíper da mochila de couro e de lá retirou um pequeno caderninho com a capa
também de couro.Foi até a cozinha e pegou um refrigerante e a garrafa de vinho
e foi ao encontro de Giuseppe.
-Mais vinho? Será que hoje marcamos a data do casamento?
- Engraçadinho,tome o seu refrigerante,pelo menos é de uva.
Junto do lata de refrigerante,entregou o caderninho.
- O que é isso?
- Observe atentamente.
Nas páginas amareladas porque era um papel envelhecido, Giuseppe observava as
páginas e o que nelas havia escrito. Nas primeiras páginas, poesias e no meio o
início de um intinerário para férias no veleiro.
- Está incompleto, Grace.
- Justamente, ajude-me a construir um plano.
-Com todo prazer. Quando vai partir ,eu concordo em você ser
a primeira a usar o veleiro para o seu descanso.
- Você não entendeu.
- Vamos planejar juntos para irmos juntos.
-O que aconteceu com a solidão para a paz de pensamentos?
- A verdade é que às vezes o homem prefere o sofrimento à paixão.Quando
você me beijou, senti em mim um desejo que preferir a paixão.
Num súbito, Giuseppe beijou Grace apaixonadamente.Os jovens
continuaram velejando no início daquele dia onde a razão insólita e fria foi
vencida pela razão na esperança da construção de memórias afetivas e fortes.

Conto sensacional, uma qualidade incrível para fisgar o leitor, me impressionou e impactou com os detalhes desde a primeira leitura.
ResponderExcluirDesejo ler mais textos de qualidade!
👏👏👏👏❤
ResponderExcluirParabéns 👏👏👏
ResponderExcluirExcelente 👏
ResponderExcluirAmei!! Quero ler mais contos seus! <3
ResponderExcluirAdorei!
ResponderExcluirEscreva mais!