Insônia
Rolo para um lado , puxo a coberta,desisto de inspecionar o teto desisto de esperar que algo surja da janela, não vai surgir.Até o barulho das patinhas de uma barata eu ouvi há uns 20 minutos,pensei até ter sido uma barata humana tentando roubar a casa.Esse relógio de pulso, na cabeceira , é muito barulhento. Mas,está há uns dois metros de mim, sem vontade pegar e desligar. Mas, como é possível algo conseguir me atrapalhar tão facilmente? Será que se eu pegar a luminária e ler ajuda? Decidido, ligo a luminária, sento,no meio da cama e abro um livro de poesias de Santo Agostinho-As Confissões. Em breve,o sono deverá vir, aliás a antologia é extensa , não consigo vencer numa só madrugada.Linhas,versos, páginas se passam e eu estou ficando mais compenetrada.
Em fim, meu plano foi totalmente frustrado o que ocorreu foi o contrário.Aquele relógio de pulso tão vivo que me atormentado , agora está em minhas mãos frequentemente, não há desejo maior do que monitorar as horas que passam. A apreensão de não dormir é tão grande que até me perdi na leitura, enquanto pensava no fato de não conseguir descansar. A mente parece que fica mais sensibilizada para todos os pensamentos.Desisto de ler e me fixo mais no fato de não conseguir dormir, o sono parece que nunca virá.
O dia começa novamente, aquele seria um sábado, menos mal porque assim eu conseguiria dormir mais um pouco. Vou ao epelho no banheiro, o rosto não disfarça a falta de sono. Lembrei que nesse sábado eu teria um encontro com um amigo que me pediu para escrever um poema sobre sonhos. Estamos participando da montagem de uma antologia de poemas, só falta esse tema sonho,mas como eu sonho , se nem consigo dormir. É obvio que não vale isso de divagar ou sonhar acordado. O objetivo é escrever algo, ao estilo da arte de Salvador Dalí que tentava reproduzir o que seu inconsciente refletia, aquilo que a atividade intensa do meu sistema nervoso central me proporcionaria.Meu orgânico deve estar tão alterado para me gerar insônia que não consigo ir para o campo do inconsciente.
Conversamos bastante falei sobre minha inquietação,desculpei-me sobre a expectativa não suprida na entrega do poema, mas entreguei o que havia escrito naquela mesma noite anterior e fui embora.
A noite passa e o sentimento de angústia é crescente
Palavras positivas não são resolutivas
O sonho de ter o o mínimo para um sonho, o bem
querido sono , será que eu divago por não descançar
ou não descanço or tanto divagar, o medo de não conseguir
mais desligar a cabeça é iminente
será que vou desistir, ceder e dormir ou continuar a mergulhar
nesse constante crescimento de insônia e inquietação?
-Isso está muito bom.
-Mas, não falei sobre o conteúdo de um sonho!
- O sofrimento com a insônia é um bom indicativo de que o sonho é algo significativo. E isso é o que queríamos para a Antologia.
Inspiração: O tema sonho foi sugerido pelo meu namorado Gabriel Machado Saccillotto Freitas em função a um desafio literário que ele também estava participando. O que eu escrevi foi até diferente do que eu imaginei que iria produzie, mas agostei do resultado.
Ótimo texto, o início lembra a escrita do King, grande poesia como sempre.
ResponderExcluirSão 04h15 e o texto descreve exatamente a minha insônia e a procura pelo sono e sonhos.
ResponderExcluirMuito bom.
Adorei o texto ,descreve bem as inquietações de um insone .
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