Crônica da Caridade
Certo dia ouvi alguém dizer que a caridade tem que ser espontânea. É claro que a bondade pode se tornar vaidade, no entanto esperar a inspiração humana para fazer o bem pode se tornar algo difícil. Sempre haverá um empecilho ou a própria avareza de achar que não possui o suficiente para contribuir Por isso, até entendo que alguns cristãos tornam método de que em algum período a prática da caridade e da esmola é mais estimulada. Numa tarde de quarta-feira, há alguns anos atrás , quando ainda fazia cursinho, fui até a parada de ônibus para ir para a casa. Esse ponto de ônibus ficava em frente a um shopping. No local ficavam vários pedintes, usuários de drogas. Eu tinha o hábito de comprar batata frita em uma barraquinha que ficava próxima ao local. Um rapaz da minha idade, adolescente, maltrapilho, sujo, descalço pedia para as pessoas ali dinheiro para comprar comida.
-Não dou dinheiro para cracudo, ele vai usar com drogas. - Disse um senhora
Fiz o pedido da minha batata frita, enquanto observava a cena do rapaz. Decidi pedir mais uma porção de batata frita. Quando ficou pronto, dei ao rapaz.
-Por isso, que esse povo não sai das ruas, vivem de esmola.
Meu ônibus chegou, embarquei juntamente com aquela senhora. Sentamos em locais próximos, o telefone dela tocou. Conversava com uma amiga da igreja sobre a pastoral da igreja.
- Não se preocupe , Neide . Vou doar sim, amanhã faço a transferência de 500 reais. Adoro ajudar os necessitados.
Afinal, a caridade de alguns só serve se for recompensada pela vaidade dos elogios. Pelo menos, é melhor do que a de alguns que nem existe.
Imagem criada por IA Dream
Excelente texto, crítica e ironia nos moldes de Machado!
ResponderExcluirExcelente texto, muito reflexivo.
ResponderExcluirParabéns pelo texto!
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