Procura

 

                                           


          Dia 17 de todo o mês é um dia comum para muitos, no entanto é celebrada e lembrada por dois jovens que decidiram que o dia em que começaram, oficialmente, a namorar seria celebrado com carinho, mesmo que de formas simples. O que não esperavam é que nesse dia tão especial estariam chocados com um crime bárbaro que atormentava suas mentes, assim como o pecado persegue o cristão genuíno. Há dias não conseguiam comer e a ansiedade os corroía paulatinamente - noites mal dormidas; corações palpitantes; enjoos frequentes por causa de pensamentos intrusivos. Essa sensação horrível era quase que permanente, durante o dia inteiro e os rondava há exatamente uma semana. Já que não desejavam levantar suspeitas combinaram de se encontrar na casa de Samara para decidir o que fariam e ficarem em paz para comemorar o aniversário de sua união.
        Enquanto a jovem tomava um banho quente e desembaraçava os cabelos, instantes rápidos surgiam em sua mente , eram momentos de pânico que passou juntamente com seu namorado. Terminado o banho, se arrumou, penteou os cabelos e ligou para Gabriel.

    -Já estou saindo de casa. Assim que eu sair , mando a localização. Amo você!
    Dentro de 20 minutos, chega o jovem até a casa da moça de carro. Se cumprimentam com um abraço e um beijo nos lábios de forma afetuosa.
   
     - Como você está? Conseguindo dormir? Um pouco , mas isso já vai se resolver.
   Já com sua mochila azul nas costas, o rapaz, do porta malas de seu carro prata , tira uma caixa de papelão e pede para que a moça a segure, enquanto fecha a porta.
    
    - Vamos entrar logo, amor. Antes que alguém veja.
    - Deixa que eu carrego é um pouco pesado.
   
     Chegando no quarto de estudos de moça , os dois entram e fecham a porta. O cachorro da casa, um American Staffordshire Terrier fareja a porta insistentemente e rosna. algo naquela caixa não o agradou.

- Tudo o que eu não esperava era termos que lidar com isso hoje.

Gabriel olha a namorada com olhar de compassivo , mas assustado ao mesmo tempo e responde:

- Vai dar certo, musa.

- Mas, as nossas digitais já estão aí. 
        
       Há exatos 7 dias , Samara decidiu que iria fazer um convite diferente para o namorado. No mês em que comemorariam também  aniversário de sua irmã fariam um passeio a uma cachoeira próxima para um piquenique e também para aproveitar a água gelada. Foram no grupo de 10 pessoas divididas em dois carros. Demoraram menos de 30 minutos para chegar ao destino. Após a chegada , começaram a trilha. O percurso incluiria 4 cachoeiras, os acessos não eram fáceis e os jovens ainda carregavam 2 caixas plásticas térmicas para armazenar lanches e bebidas. Pararam em todas as cachoeiras, quando estavam chegando na segunda, decidiram parar para montar o piquenique na beira de uma bela queda d´água. cantaram parabéns para Sarah e ficaram conversando e tirando fotos e, sobretudo, aproveitando a paisagem.  A caminho da última cachoeira decidiram descansar.
  Samara e Gabriel seguiram um pouco à frente do grupo e não perceberam que eles pararam. Em um parte plana da trilha ,a moça foi fotografar um pássaro que avistou e tropeçou em algo bem duro no chão.

-Cuidado, amor Advertiu Gabriel , enquanto ria discretamente.

- Tem alguma coisa aqui! Cadê os outros? 

Os celulares estavam sem sinal, desde a segunda cachoeira. 

- Vamos voltar, Samara, acho que eles pararam para descansar.

- Não , eles irão nos encontrar aqui, vamos aguardar. Vem ver isso aqui, parece uma esfera.

    Os dois começaram a tirar as folhas secas que estavam em cima do objeto, logo perceberam que teriam que cava um pouco com as mãos, aos poucos , a esfera foi submergindo. 

- Não pegue nisso parece um crânio, amor. Disse o rapaz.

- Não ! Nem um pouco parecido na textura  e na anatomia, está muito redondo, apesar dessa coloração lembrar muito uma estrutura óssea.

    Continuaram tirando e fitaram os olhos, quando tudo estava descoberto, era uma esfera marfim de plástico, quase do tamanho de uma bola de futebol de campo. Aproximadamente 167 mm de diâmetro. A moça descobriu que era  a esfera era fendida  e assim conseguiu abrir. Dentro dela várias fotos de um casal e logo abaixo um papel com letras cursivas e aparentemente aquilo foi escrito com raiva, o papel estava muito afundado onde a caneta marcou as letras. 

-Acho que tem mais alguma coisa no fundo.

    Gabriel pegou o objeto e dentro dele conseguiu tirar vários dentes humanos. O clima de horror rapidamente tomou aquela trilha , enquanto a água da queda d'água em frente deveria os surpreender, estavam chocados com o que descobriram. Ao fundo as vozes dos demais que se aproximavam da cachoeira. Rapidamente guardaram a esfera na mochila azul que Gabriel trazia nas costas. O passeio continuou e eles se entreolhavam sempre até o retorno para casa. Não mencionaram nada do ocorrido para ninguém.

    Agora, uma semana depois do ocorrido estavam tentando descobrir do que se tratava aquele macabro objeto com dentes humanos dentro. Decidiram , então , por , finalmente , ler o que estava escrito juntos. Para o espanto dos dois era a confissão de um assassinato, mas o autor não se identificou.

    No bilhete estava escrito: Quando teve a chance de ser amada por mim, foi rápida em me rejeitar, então receba o meu ódio por você que me trocou e preferiu  aquele babaca que apareceu do nada. A confissão estava ali , mas não revelava a identidade do suspeito.
 Um crime bárbaro em que até os dentes da vítima foram arrancados para evitar sua possível identificação. Estavam no impasse de entregar ou não para a polícia, pois suas digitais já estavam nos objetos, o medo de serem suspeitos do crime aumentou. Por fim, decidiram que iriam entregar tudo em uma delegacia. Foram naquele momento mesmo. Entregaram ,responderam as perguntas dos agentes e seguiram de volta para casa. No caminho, Samara pede para que Gabriel faça um desvio.

    - Onde estamos indo, amor?

    - Só siga minhas orientações se já chegaremos ao nosso destino.
    
    Chegaram ao hospital da cidade satélite vizinha. Samara pegou sua identificação de estagiária do hospital e logo se dirigiu para o setor de patologia do hospital, no serviço de verificação de óbito. Gabriel sem entender nada apenas a seguia, entraram no laboratório de análises. Estavam apenas os dois no local. A moça já tirou do bolso da calça um dente.

    -Está maluca , por que pegou isso?
    - Você já vai ver. Enquanto isso , pegou chapas de radiografia dentária de duas mulheres desconhecidas encontradas carbonizadas e comparou com aquele dente. Era exatamente o mesmo formato do presente na radiografia fornecida pelo dentista de uma das vítimas, inclusive uma curvinha bem peculiar.
    - É isso mesmo , pertence a uma mulher de 31 anos que chegou aqui há 3 meses , ninguém sabia da identidade , justamente por estar sem os dentes.
     - Sério e isso é suficiente para comprovar?
    - Não é certeza, mas é bastante provável. 
 -Sim e podemos mostrar para a polícia, talvez direcione mais entre as pessoas desaparecidas nesses período. Será uma esperança para a família que sofre com esse desaparecimento.

    Deixaram o local , voltaram na delegacia e explicaram o que descobriram. Voltando agora de vez para casa, decidiram ir comemorar o aniversário de namoro. Trocaram presentes, assistiram uma boa adaptação de um livro que era querido pelos dois. Nada mais de crimes e pelo resto do dia.


Continua...

    
 







    

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