Às margens do eterno rio

Às margens do eterno rio

Dá-me um coração que não segue 
 passos do escarnecedores 
Nem na vereda obscura eu me detenha  
Antes, meu coração guarde no íntimo  
A lei do céu, jardim do seu querer.  

Como árvore plantada à fonte viva,  
Seus ramos estendem frutos ao sol;  
Folhas que não secam, raízes profundas —  
Tempo nem tormenta abalam sua voz.  

Afaste-me de cair pelas vozes ímpias 
Que eu não seja palha ao vento errante,  
Sem rumo, sem lugar, sem proteção;  
Porque esses no juízo não resistem à tempestade, são desfeitos 
no sopro da própria ilusão. 

O caminho justo é conhecido por Ti, Eterno   
E o mal, como sombra, se esvai no além.  
Quem dança com a luz do rio eterno  
Encontra, em suas águas, o amanhã.  

Margem do Rio Sena França 1887 Pintura de Vincent Van Gogh 

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